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Pinheiro
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Técnica razoável mas muita raça e boas cabeçadas fizeram de João Carlos Batista Pinheiro um dos grandes ídolos do Flu, no qual chegou em 1948 com 17 anos e fama de versátil adquirida no Americano - jogava bem como goleiro, centroavante, meia-armador e zagueiro.
Mas no tricolor ele se firmou como zagueiro-central, substituindo o argentino Lorenzo, e no mesmo ano foi campeão juvenil carioca, brasileiro e sul-americano. Chegou então o dia em que o técnico Oto Vieira o chamou: "Menino, vais entrar no time principal e marcar Heleno de Freitas".
As pernas grossas e fortes de Pinheiro tremeram diante do nome mitológico, mas em campo deu conta da missão - e Heleno saiu de campo inconformado com a audácia daquele jovem beque.
Em 1951, quando Zezé Moreira levou o Fluminense à conquista do título impondo a marcação por zona, Pinheiro foi o grande líbero da defesa, além de respeitável cobrador de pênaltis: "Eu escolhia um canto e mandava a bomba, quase sempre de bico para não dar tempo de o goleiro se mexer".
Pinheiro não esquece a decisão contra o Bangu de Zizinho, Nívio, Moacir Bueno, Décio Esteves e Mirim. Este ameaçara distribuir pontapés em quem lhe atravessasse a frente. No primeiro jogo da melhor-de-três, Mirim quis agredir Telê, levou o troco e, depois que os dois foram expulsos, Pinheiro arrepiou em sua defesa, fazendo de Moacir Bueno sua vítima. Mas sempre contestou a fama de violento: "Quem batia eram Píndaro e Bigode. Além disso, respeitava os adversários no Maracanã pois na casa dos outros vinha o troco".
Valente, Pinheiro se arrebentou no Fla-Flu de 1953, quando o rubro-negro arrancava para o tri de 1953, 54, 55: escanteio para o Fluminense e lá foi ele tentar o gol de empate. Deu azar: na disputa com o zagueiro Pavão, caiu e teve afundamento da clavícula direita. Mas ele ganhou títulos memoráveis, como o Pan-Americano e a Taça Rio de 1952, o Torneio Rio-São Paulo (invicto) de 1957 e o de 60, além do carioca de 59.
Encerrada a carreira como atleta, Pinheiro começou a de técnico. E em 1973, na decisão da Taça Guanabara contra o Flamengo, novamente deu provas de sua forte personalidade. Um diretor mandou uma escalação num bilhete. Pinheiro colocou outro time em campo e, após a vitória por 3x0, avisou a equipe: "Ganhamos o título mas perdi meu emprego". Estava certo: na semana seguinte cedia o cargo para Duque.
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