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Clube da elite
Sob a inspiração da tradicional família Guinle, com atuação efetiva do Dr. Arnaldo Guinle, o Fluminense constrói o estádio das Laranjeiras, com capacidade para 15 mil pessoas, que no início da década de 20 seria a maior do Brasil. Junto ao estádio, a sede social, de estilo clássico e sem dúvida luxuoso, com vitreaux franceses e lustres de cristal.
Sem desprezar o futebol o Fluminense institui outros esportes - tênis, natação, basquetebol, voleibol - e promove intensa atividade social, sendo um dos clubes mais bem freqüentados da cidade. Volta a ser campeão em 1924, quando o movimento pelo profissionalismo ameaça dividir o futebol carioca. Implantado o sistema profissional e reunificados os clubes do Rio, o Fluminense vai buscar alguns dos maiores craques paulistas e forma um time poderoso, que em seis anos ganha cinco campeonatos. Vence em 1936, 37 e 38, conquistando seu segundo tri, e em 40 e 41, completando o bi. O time, base da seleção brasileira, formava com Batatais, Guimarães e Machado; Marcial, Brandt e Orozimbo; Sobral, Romeu, Russo, Lara e Hércules. Jogaram ainda o goleiro Nascimento; os zagueiros Moisés, Norival e Reganeschi; os médios Bioró, Santamaria, Spinelli e Malazzo; e os atacantes Pedro Amorim, Sandro, Novelli, Rongo, Carreiro, Milani e o grande Elba de Pádua Lima, o Tim.
Considerado historicamente como o campeonato carioca mais disputado, o de 1946 terminou com quatro equipes empatadas em primeiro lugar: Fluminense, Flamengo, Botafogo e América. Para definir o campeão, disputou-se o desempate em turno e returno, se convencionou chamar de supercampeonato. E o Fluminense, sem derrota, conquistou o título, tido pela maioria como o maior de sua história. Na final, contra o Botafogo, no estádio de São Januário, o notável Ademir Marques de Menezes, o Queixada, que o Fluminense contratara junto ao Vasco, decidiu o jogo. Fluminense 1 a 0 e glória para o técnico Gentil Cardoso, autor da frase "dêem-me Ademir e eu lhes darei o campeonato". Era um time ofensivo, muito forte no ataque, mas sem a mesma qualidade na defesa. Mas vale a pena lembrar: Robertinho, Gualter e Haroldo; Pascoal, Telesca e Bigode; Pedro Amorim, Ademir, Careca (Simões), Orlando e Rodrigues.
Em 1951, os tricolores foram buscar um botafoguense histórico para reformular sua equipe. Zezé Moreira, que havia sido Campeão com o Botafogo em 1948, trouxe novas idéias, armando o time para marcar por zona, forte na defesa e mortal nos contra-ataques. Os adversários, talvez por despeito, chamavam o Fluminense de "timinho". Como pode ser timinho uma equipe com jogadores da estirpe de Castilho, Píndaro, Pinheiro, Telê, Didi, Carlyle e Orlando, o Pingo de Ouro? É bem verdade que nas outras posições revezaram muitos jogadores, como Pé de Valsa, Vitor, Jaminho, Nino, Lafaiete, Quincas, Joel, Robson e outros. Na decisão, uma melhor-de-três contra o Bangu, Telê ocupou a sua posição original de centroavante e marcou os dois gols da vitória por 2 a 0.
Em 1952, o Fluminense conquistou a Taça Rio, torneio internacional, reunindo ainda o campeão paulista (no caso, o Corinthians) e mais seis campeões da Europa e da América do Sul. Quase o mesmo time, mas já com Bigode de lateral esquerdo, Jair Santana como volante e Marinho no lugar de Carlyle.
O terceiro tri
Em 1959, Zezé Moreira voltou às Laranjeiras e de novo armou uma equipe vencedora. Do time de 51, estavam ainda Castilho, Pinheiro e Telê, agora jogando como meia. Era um time equilibrado na defesa e no ataque, com destaques para os laterais Jair Marinho e Altair (que com Castilho, iriam fazer parte da seleção brasileira bicampeã do mundo em 62, no Chile), os velozes ponteiros Maurinho e Escurinho, e o artilheiro Valdo. Já com o título na mão, no último jogo o Fluminense enfrentava o Botafogo e, faltando três minutos para terminar, perdia por 3 a 1. A torcida alvinegra festejava a vitória sobre o campeão quando, em dois cruzamentos de Telê, Valdo marcou dois gols e empatou (3 a 3), a um minuto do fim. O empate valeu mais que a vitória e quase tanto quanto o título. O time: Castilho, Jair Marinho, Pinheiro, Clóvis e Altair; Edimilson e Paulinho; Maurinho, Valdo, Telê e Escurinho.
Em 1963, o Fluminense deixou escapar o título, ao empatar com o Flamengo por 0 a 0, num jogo célebre por dois fatos: é até hoje recorde de público no Maracanã - e no futebol mundial - em jogos entre clubes (mais de 178 mil pagantes) e o gol que Escurinho perdeu, com Marcial caído, jogando para fora a vitória e o campeonato. Mas em 1964, sob o comando do competente e brilhante Elbe de Pádua Lima, o Tim, os tricolores eram de novo campeões, derrotando o Bangu na final. O time: Castilho, Carlos Alberto Torres, Valdez e Altair; Denilson e Oldair; Jorginho, Amoroso, Joaquinzinho e Gilson Nunes.
Em 1969, outro ex-jogador querido pelos tricolores assume a direção do time. Era Telê Santana, estreando como técnico. E leva o time ao título, numa final memorável contra o Flamengo (3 a 2), com o Maracanã lotado. Félix, Oliveira, Galhardo, Assis e Marco Antonio; Denilson e Lulinha; Wilton, Flávio, Samarone e Lula. Sob o comando de Zagalo, praticamente com a mesma formação, o Fluminense vence em 1971, após uma final emocionante, gol marcado por Lula no último minuto, quando a torcida adversária já festejava o título que o empate lhe dava. Lançando novos jogadores, a prata da casa, o Fluminense ganha ainda em 1973, derrotando o Flamengo por 4 a 2 no último jogo, onde brilhou o centro-avante Dionísio, ex-rubro-negro.
O Fluminense entra, então, na fase de pensar grande, com o advento de Francisco Horta, jovem juiz de Direito, eleito para a presidência do clube. Ele começa por apresentar a contratação de Rivelino, o mais importante jogador brasileiro na época, e traz depois craques renomados, como Paulo César Caju, Mário Sérgio e Carlos Alberto Torres, Gil, Rodrigues Neto, Doval, Wendell, Renato, Miguel, Dirceu e outros, que se somam aos jovens feitos no clube, como Carlos Alberto Pintinho, Cléber, Rubens Galaxie, Cafuringa e Edinho, entre muitos. Ganha os títulos de 1975 e 1976, mas não consegue ser campeão brasileiro. Perde o tri que era considerado certo e parte dos conselheiros do clube não perdoam, embora continue com seu nome gravado no coração da torcida.
Terminada a era Horta, o Flu volta a vencer em 1980, dentro de outro esquema político: jogadores feitos em casa. Quase todos recém promovidos, os tricolores derrotam o Vasco na final por 1 a 0, gol de Edinho. O time: Paulo Goulart, Edvaldo, Tadeu, Edinho e Rubens Galaxie; Delei e Mário; Robertinho, Gilberto, Cláudio Adão e Zezé. De fora, Gilberto e Cláudio Adão apenas.
Os anos de 1983, 84 e 85 são de alegria. Contratando jogadores quase desconhecidos, porém com grande potencial técnico, e juntando a eles alguns feitos em casa, o Fluminense foi buscar a dupla de ataque Washington e Assis no Paraná, formando um time forte e vencedor. A eles, somou Romerito e ganhou seu terceiro tri, além do título brasileiro de 1984, derrotando o Vasco. Em 1983, 84, o Fluminense venceu nas finais o Flamengo, ambas as vezes por 1 a 0, ambas as vezes com gol de Assis, que passou a ser chamado de "Carrasco das Laranjeiras". Em 1985, disputou a final contra o Bangu e virou o jogo, que perdia por 1 a 0, para 2 a 1, gols de Romerito e Paulinho, de falta. O time teve como goleiro titular Paulo Vitor, Aldo (Beto), Duílio e Vica; Ricardo Gomes e Branco (Renato); Jandir, Delei e Assis; Romerito, Washington e Tato (Paulinho).
"...sou do clube tantas vezes campeão!"
O Fluminense conquistou o seu 28º campeonato em 1995, em uma das mais empolgantes decisões de todos os tempos, ao vencer o Flamengo na final por 3 a 2, quando o empate bastava para os rubro-negros.
Há nove anos sem chegar ao título - desde que se sagrara tricampeão em 83-84-85 - o Fluminense disputava a quarta decisão consecutiva, encerrando uma campanha onde não obtivera qualquer vantagem. Os tricolores entraram no turno final com zero ponto, enquanto o Flamengo já somava três, e o Vasco e o Botafogo contavam um.
Ao empatar com o América e, na segunda rodada, perder para o Botafogo, tudo parecia conspirar contra o Fluminense. Mas foi justamente aí, quando ninguém mais acreditava em suas possibilidades, que os jogadores tricolores se uniram e foram buscar forças para a arrancada impressionante em busca do título, numa sequência de 12 jogos sem derrotas.
No balanço final do campeonato, foi o Fluminense o time que somou o maior número de pontos, vencendo 18 vezes, empatando sete e perdendo apenas três num total de 28 jogos. Os tricolores marcaram 49 gols e sofreram 19, apresentando um time de notável aguerrimento, equilíbrio e segurança.
Comandados por Joel Santana, que com humildade, seriedade e competência soube unir o grupo e incutir raro senso de responsabilidade, os tricolores transformaram o início incerto numa conquista apoteótica. Wellerson firmou-se no gol, dando confiança a seus companheiros de defesa, onde sobressaía a segurança de Ronald, Lima, Márcio Costa, Paulo Paiva e Lira. No meio do campo destacava-se a atividade e dedicação de Ailton, Cadu, Djair, Rogerinho e Wallace; na frente, valentes e oportunistas, estavam Leonardo (o artilheiro da equipe com 9 gols), Ézio, Luís Henrique (que seriamente lesionado teve de se submeter à cirurgia) e o capitão Renato. À frente de todos, verdadeiro líder e grande incentivador, Renato Gaúcho dava provas de grande dedicação e responsabilidade profissional.
A final não poderia ter sido mais emocionante. Um grande Fla x Flu, com o Maracanã lotado e as torcidas em festa. Só a vitória daria o título ao Fluminense e os tricolores reviveram sua imortal legenda de "vencer ou vencer". O Fluminense iniciou esmagador e chegou aos 2 a 0, com gols de Renato e Leonardo, como poderia ter feito mais dois ou três. No segundo tempo, em jogada ocasional, o Flamengo diminuiu e logo depois chegou ao empate (2 a 2).
Mas os tricolores não esmoeceram. Continuaram lutando, acreditando, tentando. Com um jogador a menos, quando faltavam quatro minutos, Ailton invadiu a área pela direita, aplicou uma série de dribles nos defensores adversários e mandou a bomba; a bola ia passar, quando surgiu Renato e a desviou com a barriga para as redes: Flu 3 a 2, Flu campeão, torcida em delírio, uma festa de heróis. Como diria Nélson Rodrigues, ali estavam todos os tricolores, vivos ou mortos, abandonando as sandálias da humildade para chorarem de felicidade total.
Pela ansiedade, pela vibração, pela emoção - os tricolores sentiram que valera à pena esperar nove anos para reconquistar o título do Rio de Janeiro. No jogo final o Fluminense formou com: Wellerson, Ronald, Lima e Sorley; Márcio Costa, Ailton, Djair e Rogerinho; Renato e Leonardo. Entraram ainda Ézio e Cadu.
O Rio, na noite de 25 de junho de 1995, enfeitou-se de grená, branco e verde, lotando bares e restaurantes sob o canto da velha marcha de Lamartine Babo que retrata a história tricolor: "Sou tricolor de coração, sou do clube tantas vezes campeão..."
O Fluminense, recordista de títulos no Rio de Janeiro, venceu também em 1970 a Taça de Prata, equivalente ao Campeonato Brasileiro. Sua história, de títulos e conquistas, teve seu ponto culminante quando o Comitê Olímpico Internacional o distinguiu com a Taça Olímpica, troféu raramente destinado a clubes, mas profundamente honroso pelo significado de premiar uma organização exemplar, dentro e fora dos gramados, das quadras e das piscinas. Apesar de seus muitos títulos, em seus escritos, o clube adotou a fórmula: Fluminense Football Club, Detentor da Taça Olímpica de 1949.
MASCOTE
O mascote do Fluminense é o Cartola, cuja escolha está longe de simbolizar alguns
dirigentes desonestos de hoje que usam seus clubes como trampolins sociais. O Cartola,
mascote do Fluminense, objetiva mostrar a ligação do Fluminense com a nobreza e a fi-
dalguia brasileiras. É um cartola que usa fraque, traje que denotava refinamento, porque
era fino, de educação superior e que só aceitava vencer em respeito às regras preesta-
belecidas. Esse Cartola é, sem dúvida, a mais perfeita síntese Tricolor.
O Cartola do Fluminense foi criado em 1943 pelo chargista argentino Mollas.
Uniforme
O próprio Oscar Cox, fundador e primeiro presidente do Flu, criou seu primeiro uniforme (assim como a bandeira e o escudo) em 1902: camisa branca e cinza, em duas listras verticais, gola branca como o calção e meias pretas. Foi o próprio Cox, durante uma viagem a londres em busca de tecido para o uniforme, que sugeriu por carta sua modificação: o cinza-claro era difícil de encontrar. Dia 15 de julho de 1904 as novas cores eram aprovadas, com o branco, o vermelho e o verde em listras verticais.
Em 1907 a camisa passou ater uma faixa diagonal nas cores vermelha e verde, sobre o fundo branco. Mas em 1909 perdeu a faixa diagonal, adotando-se o escudo sobre a camisa branca. No ano seguinte, a camisa voltou às listras verticais tricolores, com calção branco e meia também tricolor zebrada.
Na década de 60 o Flu utilizou, embora por pouco tempo, um uniforme que lembrava o da faixa diagonal de 1907. Mas até hoje mantém aquele que, na década de 20, se tornara definitivo, acrescido agora do símbolo de campeão da Copa do Brasil de 1984 na manga esquerda. |